segunda-feira, 23 de junho de 2014

Fernandinho em processo de klebersonização

O volante do Manchester City, lembrou muito na partida de ontem,  o que aconteceu com Kleberson na copa de 2002, na Coréia e Japão. Naquela ocasião, Juninho Paulista era o titular, mas não fazia a função volante da maneira ‘pesada’ que Luiz Felipe Escolari (Felipão), queria. Para resolver, o técnico colocou Keberson que dominou a posição passando a ser titular até o fim da copa.

Antes da habitual crítica, sobre a seleção brasileira, é preciso dizer que Camarões, a não ser no primeiro tempo, se mostrou uma seleção fraca sem muita definição em campo e que não pode ser referência definitiva, como jogo onde o Brasil foi bem.

Pois bem, hoje, no primeiro tempo a seleção viveu novamente de Neymar dependência.Ele como sempre fez a diferença, anotando dois gols. Em contra partida os zagueiros queimavam os meio campistas, utilizando o lançamento longo e direto para os atacantes. 

Não que não devam existir os lançamentos, são importantes como uma eventual saída, não sistematicamente. O uso excessivo acaba desvalorizando o trabalho dos volantes e meias de criação.

Na volta para a segunda etapa Felipão, deu o braço a torcer colocando Fernandinho no lugar de Paulinho depois de mais uma atuação sem brilho e pouco concreta.

Fernandinho mostrou que tem muito futebol, entrou e deu mais mobilidade no meio de campo, além de brigar pelas bolas do rebote, antes aproveitadas somente pela equipe de Camarões. Numa delas, após cruzamento de Neymar, onde Camarões afastou a bola, ele brigou e ganhou o rebote, serviu Davi Luiz, que cruzou para Fred que anotou o seu primeiro gol na copa.

O atacante do Fluminense, finalmente marcou seu primeiro gol nesta copa. Felipão demonstrou nitidamente na careta que fez após o gol, como ficou aliviado. 

Salvo pelo gongo, digamos, foi Oscar, que já estava marcado para sair quando Neymar sofreu uma falta e Felipão mudou de ideia no último minuto, tirando o craque e colocando Wiliam. A atuação de Oscar continuou simples sem criatividade e se resumiu em escorar uma bola para Fernandinho fazer o gol.

Os zagueiros mostraram algumas falhas, talvez pelo excesso de toque de bola perto da área brasileira. Há que se dizer que Davi Luiz, mostrou sua capacidade de ataque, nos lançamentos com as duas pernas e na participação como ponteiro quando cruzou para o gol de Fred. 

Já Tiago Silva, capitão, vive o carma da preocupação com o lado direito, principalmente nas sobras de bola do lateral direito Daniel Alves, que não consegue se encontrar em campo.

O lateral inclusive, um dos maiores problemas da seleção no primeiro tempo, quando a seleção adversária cruzou muitas bolas, inclusive na situação do gol.

Marcelo cometeu alguns erros, mais ainda assim soube ‘povoar’ a região esquerda do meio campo de jogo. Já Luiz Gustavo, um dos mais constantes, acabou cometendo algumas falhas de marcação e no toque de bola, embora também, tenha roubado e cruzado para Neymar marcar o primeiro gol.

O time que começou com: Júlio Cezar, Marcelo, Davi Luiz, Tiago Silva, Daniel Alves, Luiz Gustavo, Paulinho, Hulk, Neymar, Oscar e Fred.

Terminou muito melhor com: Júlio Cezar, Marcelo, Davi Luiz, Tiago Silva, Daniel Alves, Luiz Gustavo, Paulinho Fernandinho, Hulk Ramires, Neymar Wiliam, Oscar e Fred.

Placar 4x1.

Gols de: Neymar (2), Fred, Fernandinho

domingo, 22 de junho de 2014

O nível do show caiu assim como o Grupo do Bola

Não que o programa tenha sido ruim, mas não manteve o mesmo nível de outras edições. Foram repetidas atuações, Luan Estilizado estragou Fagner, Jamz parecia cover deles mesmos e Grupo do Bola, repetiu, repetiu e repetiu. 

A Suricato, apresentou uma super canção do mestre Paulinho Moska. A letra de “Pra Tudo Acontecer”, é linda, mas não vende muito, é algo mais elitizado. Tiveram sorte de uma boa votação por que foram os primeiros a se apresentar.

Diferentemente do Luan e o Forró estilizado, que escolheu a música “Espumas ao Vento” de Fagner, à qual misturaram o comecinho de Stairway To Heaven de Led Zepelim. Sou a favor da criação, mas não da “estragação” das músicas. Enfim, achei o de sempre.

Aliás, ainda sobre o Luan Estilizado, afinal, qual o problema de ser só; “Luan ou só Forró Estilizado??” a junção dos nomes me parece muito egocentrismo e arrogância do cantor e até talvez, maquiavelismo por querer aparecer mais que a banda, é como se a banda devesse algum favor ao cantor.

Move Over, arriscou, como já dito e perdeu a mão, a identidade Hardcore de sempre, ficou esquecida, musica muito melôzinha, a cantora ficou presa, estava visivelmente nervosa. Depois da apresentação falou de um problema grave de saúde do sogro, talvez tenha sido isso.

Acompanho os programas sempre e ao ver a Malta, ficava sempre com a sensação de imitação. Não, não é pela voz do cantor, mas de uma forma geral, via e ouvia a Rosas de Saron ou Reação em Cadeia. 

Hoje foi diferente, foi a melhor apresentação da Malta desde que começou o programa, a música “Lendas”, autoral novamente, foi muito bem apresentada. A Ivete, principalmente, citou coisas que a banda fez e que deu identidade a ela. Ela disse que a banda mudou coisas ruins, só não disse (Coisas Ruins).

Mais uma vez a Jamz, foi corretinha, não mostrou grandes novidades, deu a impressão de repetição, sei lá, mas os falsetes na voz e a guitarra estavam incríveis.

Bicho de Pé, foi lindo, forró de Verdade, com uma canção autoral mostrou sua versatilidade e influências impensadas, retratadas principalmente no set de percussão, com instrumentos que deram um ‘ar’ cultural Árabe. 

Os gaúchos do Grupo do bola, foram o mesmo de sempre, só que hoje pior, com relação à música escolhida. Tocaram “Festa” de Ivete Sangalo. Teve swing, teve graça com a voz, teve coreografia, enfim, teve o que sempre teve nas outras apresentações deles, ficou a vontade de vê-los tocando algo autoral. 

O nível caiu hoje, nem sempre vão haver grandes shows.

Os Beatles e a Filosofia

Trata-se de uma crítica do livro The Beatles and Philosophy, e foi feita no ano de 2012, quando ainda cursava comunicação social na faculdade. Espero que gostem, melhor livro que já li.


Por que escrever um livro de filosofia sobre os Beatles, já que os próprios não se consideravam filósofos? O fato é, que a partir do momento que se define esse questionamento, já podemos considerar os Beatles um tema filosófico.

O início do Beatles me fez pensar que os cantores ou as bandas de sertanejo universitário tem concerto. Músicas sem muito sentido e com assuntos clichês, esse era (como o sertanejo universitário de hoje), o repertório da banda dos anos de 1960.

Com o passar dos anos eles começaram a mudar seus conceitos e refletir o seu papel na sociedade. Usar sua música para falar sobre, questões políticas, sociais e filosóficas. Discussões sobre a natureza e o valor do conhecimento.

Foram preciso vinte estudiosos de filosofia para mostrar o sentido crítico que as obras dos garotos de Liverpool Inglaterra, queriam trazer à sociedade. Vê-se logo na primeira música citada pelo autor como ponto de discussão, “WithinYou, WithinYou”, onde falam sobre as pessoas que se escondem atrás de ilusões e não vêem a verdade. As limitações dos sentidos e como o conhecimento empírico pode nos enganar com nossos sentidos.

O ceticismo é uma das defesas do Beatles, isto visto na música “Nowhere Man”, onde acreditavam que é preciso ser cético, afinal, nos aliarmos a um ídolo pode nos trazer decepção, já que o ídolo é uma pessoa normal também sujeito a falhas, isso é o que diz Michael Baur, no subtítulo O Problema com os Gurus”. Para os Beatles seguir algum guru era forma de tirar o peso que vem da falta de decisão sobre no que acreditar.

O livro é dividido em tópicos envolvendo letras de músicas com pensamentos filosóficos, tornando assim a compreensão bem mais fácil.

Sobre a ética, os quatro músicos tinha uma opinião que envolvia as crenças e o respeito a todo e qualquer tipo de raça e etnia. Eles não tinham interesse de serem filósofos, mas mesmo assim pregavam que suas músicas deviam ser refletidas da maneira que cada pessoa podia, à luz da filosofia e suas teorias.

As discussões sobre cultura popular eram também constantes nas letras dos Beatles, como a natureza das coisas e a mental e espiritual. Nesse ponto o autor traz à tona as discussão de teorias do filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel, sobre consciência observadora e observada. De modo simples a observadora vê tudo de forma filosófica e consegue explica-la, enquanto a observada pode até ver as coisas, mas não tem condições de explicar por não ter o conhecimento.

O autor dedica as cinco ou seis ultimas páginas do primeiro capitulo, para talvez a discussão mais profunda e complexa do livro, correndo o risco de ser chato, mas como quem começa a ler um livro de filosofia já sabe, o início é um prenúncio, de que a questão ainda vai ter um desdobramento maior.

Amor, palavra que pelo menos nas primeiras 80 páginas permeia com muita força a dissertação. Amor é para os músicos um elo com amigos ou mesmo com a humanidade, não apenas a simples paixão. Amor onde todos precisamos uns dos outros de uma maneira útil e não parasitária. Para a sociedade anglo-americana esses pensamentos sobre o amor eram utópicos.

Novamente as teorias de Hegel, aparecem no tópico sobre amor e reconhecimento, quando se fala em alcançar a grandeza por meio da união, e relacionamento com o próximo. O exemplo citado no livro é de que, quando começaram e até serem reconhecidos, todos juntos eles são os Beatles, mas sozinhos não eram ninguém. 

Hegel dizia que colocar uma pessoa em nossas vidas implica em ter igualdade de poderes, para que seja mesmo um ser humano vivo e esse, estar vivo, significa pra ele liberdade, que é a essência do amor. Atos arbitrários não são atos de liberdade, pois, no momento estamos dependentes de um desejo de dar conteúdo à nossa vontade, logo, estamos presos a alguma coisa.

Para entender a concepção de amor de Paul McCartney, o autor Robert Arp, propõe analisar as concepções de figuras da filosofia oriental. Partindo do princípio do amor passional, ele cita o deus grego EROS, o qual tinha grande poder sobre os mortais, induzindo-os a mentir, roubar e matar por exemplo. 

Também traz a concepção de amor dos gregos como amor filial, que é a beleza e bondade das pessoas, conceito encontrado no amor platônico, definição feita por Platão, para esse sentimento.

Fazem parte a essa altura desta discussão, vários outros autores como, Aristóteles e Empédocles, todos de um modo geral, chegam a conclusão que o amor “move o mundo”, assim para Paul, o amor é uma forma cósmica e unificadora.

A ética e virtude estão presentes na vida dos Beatles. Em mais uma comparação entre conceitos de virtude e as músicas dos deles, o autor mostra que retratam uma crítica sobre justiça, ética e moral impostas por padrões de sociedade. As canções mostram uma realidade de vários tipos de justiça injusta, críticas que passavam até pelo sistema de cobrança de impostos da própria Inglaterra. Se hoje uma crítica ao sistema é repudiada, imagine naquela época.

Os cantores ilustram em suas músicas várias virtudes aristotélicas, sendo elas, liberdade, orgulho, modéstia, bom temperamento, justiça e humor. Com certo cuidado os Beatles reconheciam que tinham uma parte feminina em suas entranhas, eram diferentes e precisavam de uma “válvula de escape”, para o sentimento ingênuo, sentimento de contato e afeto com outras pessoas. Suas conclusões sobre sensações que tinham mostram que eram calorosos elos sociais.

A crítica era contra a música ruim dos anos de 1960, mas serve como uma luva para a música dos dias de hoje. Criticar a ética do cuidar e os sentimentos femininos ficam claros quando, o autor destaca o subtítulo “Carregue esse Peso”, onde amparado pelas palavras do filósofo Jean Jacques Rousseau, diz que a mulher quando busca metas que não o bem estar da família somente, perde suas qualidades de um ser desejável.

A cultura consumista é outra crítica dos Beatles, mas, antes que alguns pensem que eles eram contrários a ter dinheiro, é importante que se diga que não, eles defendiam ser ricos, afinal só assim conseguiram chegar onde chegaram, mas eram sinceros quando diziam que amor e diversão não tem preço.

O filósofo mais citado nas discussões sobre amor, que existiam nas músicas dos Beatles, é Rousseau, ele sempre definia suas teorias filosóficas baseado no amor ou na união entre as pessoas, mesmo quando eram assuntos de estado.

A homogeneização do mercado artístico, faz com que se desencadeie uma discussão que reflete, até onde os artistas devem se deixar levar pelo mercado capitalista. Rousseau, diferencia humanos de porcos, por exemplo, que são animais que não conseguem escolher o que fazer enquanto, nós seres humanos temos esse “poder”.

O fim de cada capítulo até aqui, é meio irônico, pois sempre trata de pontos de vista dos filósofos como sendo utópicos ao modelo social já existente.

A reorganização social percebida nas músicas dos Beatles, assim como em suas atitudes, são oriundas também das leituras sobre Karl Marx. Para esse filósofo os próprios Beatles faziam parte do mercado capitalista, contudo, dizia que “tornar-se rico no sistema, não implicaria em abraçar a mentalidade”.

Ser autêntico é uma luta quando se trata do mercado consumista e quando ganhamos muitas coisas acabamos perdendo a autenticidade. Tornamo-nos pessoas sem um lugar na sociedade, ou talvez pessoa com muitos lugares, mas sem nenhuma naturalidade.

Paul McCartney, John Lennon, e Ringo, são marcados em suas vidas pessoais por tragédias na infância, mas George Harrison, não tinha a mesma história, afinal ele teve uma infância feliz. O fato de ter sido diferente dos outros três lhe causava constantes reflexões.

George foi quem apresentou a índia aos Beatles, e o que lá no começo dissemos sobre não acreditar em gurus e ser céticos, agora volta à torna com os próprios Beatles como gurus. Para muitas pessoas ainda é difícil de tornar um ídolo, uma pessoa que usa drogas para entender o mundo e se libertar de pré-conceitos.

Enfim aqui chegamos à explicação para o uso das drogas entre os quatro músicos. Esse interesse surge quando os Beatles começam a ler livros sobre a cultura da índia, cultura e filosofia oriental. Lá estão relatos de pessoas que usam esses entorpecentes e tem revelações incríveis sobre a vida social, eles queriam o mesmo, podemos dizer então que até certo ponto eles tinham um motivo plausível, para usarem.

O livro transcende a história de uma banda de rock, ele traz o contexto social aplicado, já que para que possamos nos interessar pela essência e por discussões sociais, precisamos sempre de uma referência.

Os motivos, razões e circunstâncias de seus álbuns, eram definidos por seus estados de consciência. E como julgar a normalidade de suas consciências se suas funções eram melhores do que se estivessem sóbrios? A forma ética era mais ética do que no seu estado normal.

Formaram uma consciência crítica e isso é o que os diferenciou e diferencia, de outras bandas. O estado normal é imoral e irracional por estar preso ao estado.  Seus versos são fontes para discussões filosóficas para quem realmente vê e não somente enxerga. 

Não bastassem suas convicções e resoluções já descritas, o autor incorpora à discussão, um texto sobre ideias de Nietzsche. Duas palavras dos Beatles são o suficiente para comparar as opiniões sobre a paralisia intelectual com o Nietzsche.


A compreensão sobre a visão que temos do mundo nos faz entender e não cair nos buracos da vida. Parece que solucionar o problema não é a solução, por que ali, acabaria o desejo pela crítica e pelo questionamento.

Livro com noções do social, e de como é preciso se despir, mas não esquecer os conceitos adquiridos empiricamente, para poder entender o contexto social. Além de trazer nas ultimas páginas a discografia completa da banda

Ficha técnica
Titulo original – “The Beatles and Philosophy” (Os Beatles e a Filosofia)
Autor – Michael Baur e Steven Baur
Editora – Madras
Ano – 2007
Quantidade de paginas – 285
Valor médio de comercialização – R$27,90